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Os músicos de Bremen

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  Houve, uma vez, um homem que possuía um burro, o qual, durante longos anos, tinha carregado assiduamente os sacos de farinha ao moinho, mas, por fim, as forças o abandonaram e, de dia para dia, tornava-se menos apto para o trabalho. O patrão, então, resolveu tirar-lhe a ração para que morresse; mas o burro percebeu em tempo as más intenções do dono e decidiu fugir, tomando a estrada de Bremen. Lá, pensava ele, teria possibilidade de ingressar como músico na banda municipal. Assim, pois, tendo caminhado um bom trecho, encontrou um cão de caça deitado na estrada, ofegando como se tivesse corrido muito. - Por quê estás tão ofegante, Mastim? - perguntou-lhe o burro. -              Ah, - respondeu tristemente o cão, - como já estou velho e cada dia mais fraco, custando-me ir à caça, meu patrão decidiu matar-me. Então fugi, mas agora que farei para ganhar o pão de cada dia? -     ...

O Barba Azul

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Era uma vez um homem que tinha belas casas na cidade e no campo, baixela de ouro e prata, móveis trabalhados e carruagens douradas; mas, por desventura, esse homem tinha a barba azul: isto o fazia tão feio e tão terrível que não havia mulher nem moça que não fugisse ao vê-lo. Uma de suas vizinhas, dama de alta linhagem, tinha duas filhas absolutamente belas. Ele pediu-lhe uma delas em casamento, deixando a escolha à vontade materna. Nenhuma das duas o queria, e cada uma o passava à outra, pois nenhuma podia decidir-se a aceitar um homem de barba azul. Aborrecia-as também a circunstância de ele já ter desposado várias mulheres sem que ninguém soubesse o que era feito delas. Para travar relações com as moças, Barba-Azul levou-as, juntamente com a mãe e as três ou quatro melhores amigas, e algumas jovens da vizinhança, a uma das suas casas de campo, onde passaram nada menos de oito dias. E eram só passeios, caçadas e pescarias, danças e festins e merendas: ninguém dormia, ...

O Pastorzinho

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Houve, uma vez, um pastorzinho, que se tornara famoso em toda redondeza pelas sábias respostas que dava a qualquer pergunta. Até mesmo o rei ouviu falar nele e, não acreditando no que diziam, mandou chamá-lo à sua presença. - Se souberes responder com acerto às três perguntas que te farei, eu te adotarei como filho e passarás a morar comigo aqui no palácio. - Quais são as perguntas? - disse o rapazinho. O rei perguntou: - A primeira é esta: quantas gotas de água há no mar? O pastorzinho respondeu: - Majestade, mandai fechar todos os rios que desaguam no mar, e eu direi quantas gotas de água há nele. O rei continuou: - A segunda pergunta é esta: quantas estrelas há no céu? O pastorzinho respondeu: - Dai-me uma grande folha de papel branco. Depois, com a pena, fez tantos pontinhos sobre o papel que era quase impossível distingui-lo e muito mais impossível contá-los. E disse: - No céu há tantas estreias quantos pontos há neste papel; mandai contá-lo...

Branca de Neve e Rosa Vermelha

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Uma pobre viúva vivia isolada numa pequena cabana. Em seu jardim havia duas roseiras: em uma florescia rosas brancas, e, na outra, rosas vermelhas. A mulher tinha duas filhas que se pareciam com as roseiras: uma chamava-se Branca de Neve; a outra Rosa Vermelha. As crianças eram obedientes e trabalhadeiras. Branca de Neve era mais séria e mais meiga que a irmã. Rosa Vermelha gostava de correr pelos campos; Branca de Neve preferia ficar em casa ajudando a mãe. As duas crianças amavam-se muito e quando saíam juntas, andavam de mãos dadas... Elas passeavam sozinhas na floresta, colhendo amoras. Os animais não lhes faziam mal nenhum e se aproximavam delas sem temor. Nunca lhes acontecia mal algum. Se a noite as surpreendia na floresta elas se deitavam na relva e dormiam. Uma vez, passaram a noite na floresta e, quando a aurora as despertou, viram uma linda criança, toda vestida de branco sentada ao seu lado. A criança levantou-se, olhou com carinho para elas e desapareceu na floresta...

Atitude suspeita

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Luís Fernando Veríssimo         Sempre me intriga a notícia de que alguém foi preso “em atitude suspeita”. É uma frase cheia de significados. Existiriam atitudes inocentes e atitudes duvidosas diante da vida e das coisas e qualquer um de nós estaria sujeito a, distraidamente, assumir uma atitude que dá cadeia! - Delegado, prendemos este cidadão em atitude suspeita. - Ah, um daqueles é? Como era a sua atitude? - Suspeita. - Compreendo. Bom trabalho, rapazes. E o que é que ele alega? - Diz que não estava fazendo nada e protestou contra a prisão. - Hmm. Suspeitíssimo. Se fosse inocente não teria medo de vir dá explicações. - Mas eu não tenho o que explicar! Sou inocente! - É o que todos dizem, meu caro. A sua situação é preta. Temos a ordem de limpar a cidade de pessoas com atitudes suspeitas. - Mas eu só estava esperando o ônibus! - Ele fingia que estava esperando um ônibus, delegado. Foi o que despertou a suspeita. - Ah! Aposto que não ha...

Os contos de fadas a partir da psicologia analítica

Para Jung, os seres humanos nascem não apenas com uma herança biológica, mas também com uma herança psicológica. Ambas são determinantes essenciais do comportamento e da postura do indivíduo frente à vida. Assim, a criança já nasce com uma espécie de “estrutura” que molda e canaliza todo seu desenvolvimento e interação com o ambiente. Essa herança psicológica é o que ele chamou de “inconsciente coletivo”. O homem primitivo tinha preocupações, anseios e lidava com problemas de forma não muito diferente do homem moderno. Por isso Jung concluiu que esses comportamentos são o esquema básico da psique, E justamente aí estaria um motivo pelo qual os contos “sobrevivem” por tantos anos. Retratam o ser humano na sua essência, em aspectos que não mudam. Jung (1986, p.22) cita como exemplo a fantasia que a criança ou o adolescente tem de que não é filho de seus pais e sim de alguém rico e importante. Essa fantasia tão presente na vida de qualquer criança, repete aspectos de...

Walt Disney - Alice in wonderland - paper dolls

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